Natal sem Dickens não é Natal

«A merry Christmas, Bob!” said Scrooge with an earnestness that could not be mistaken, as he clapped him on the back. “A merrier Christmas, Bob, my good fellow, than I have given you for many a year! I’ll raise your salary, and endeavour to assist your struggling family, and we will discuss your affairs this very afternoon, over a Christmas bowl of smoking bishop, Bob! Make up the fires and buy another coal-scuttle before you dot another i, Bob Cratchit!»

Charles Dickens (1843/2006). A Christmas Carol. Ebook#19337: 99.

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Veneza em boa companhia

«Let me reiterate: Water equals time and provides beauty with its double. Part water, we serve beauty in the same fashion. By rubbing water, this city improves time’s looks, beautifies the future. That’s what the role of this city in the universe is. Because the city is static while we are moving. The tear is proof of that. Because we are headed for the future, while beauty is the eternal present. The tear is an attempt to remain, to stay behind, to merge with the city. But that’s against the rules. The tear is a throwback, a tribute of the future to the past. Or else it is the result of subtracting the greater from the lesser: beauty from man. The same goes for love, because one’s love, too, is greater than oneself.»

Joseph Brodsky (1992). Watermark. New York: Farrar, Straus and Giroux: 134-5.

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Pipas de Massa Chinesa

«Há muito, muito tempo, bastante longe daqui, havia um mercador muito rico, que dava pelo nome de Pipas de Massa. Pipas era de longe o homem mais rico do país. Tinha tudo o que o dinheiro era capaz de comprar. Mas tinha um pequeno problema, só um. Por muito dinheiro que Pipas ganhasse, não era feliz. Por muitos palácios, carros velozes, ou elegantes carruagens que comprasse, continuava a ser um velho tristonho e infeliz.»

Madonna (2005) Pipas de Massa. Dom Quixote. Ilustração: Rui Paes. Trad. Miguel e Susana Serras Pereira

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Caldo verde às segundas

«Era costume na época, como saberás, as senhoras de alta sociedade terem os “seus pobres”. A minha mãe não destoava dos ditames morais do Estado Novo. Ela, que comigo sempre foi seca e distante, às vezes sabia ser preciosa e, sempre que se tratava do seu pobre, conseguia mesmo ser a melhor de todas. O pobre da senhora dona Maria Adelaide era o mais bem vestido – mas sem ostentações – o mais bem tratado – mas sem aproximações indevidas – o mais bem instalado – mas sem veleidades – de todos os pobres da paróquia e, quem sabe, até mesmo de todas as paróquias da cidade. Às segundas, caldo verde. Às terças, sopa de nabo. Às quartas, massada de peixe. Às quintas, creme de ervilhas. Às sextas, sopinha de cenoura. Aos sábados e domingos, canja de galinha.»

Filipa Melo, in VVAA (2005). Contos que Contam. Lisboa: Centro Colombo.

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Carne de Porco à São Martinho

«No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho.»

Ditado Popular

«Num dia de tempestade, um valente soldado chamado Martinho ia montado no seu cavalo, quando viu um mendigo tremendo de frio que lhe estendia a mão suplicante. Sem hesitar Martinho parou o cavalo e com uma espada cortou ao meio a sua capa de militar dando metade ao mendigo. Subitamente, a tempestade parou e o céu ficou límpido com um sol de Estio que inundou a terra de luz e calor. Há quem diga que, para que não se apague da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo santo, todos os anos nesta época cessa por alguns dias o tempo frio e chuvoso, mostrando-se um céu e uma terra sorridentes com a bênção dum sol quente e miraculoso.»

Lenda Popular

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Cotovelos Tropicais do Calvin

«(À mesa de jantar)

Calvin: Eh! Que é isto na minha sopa? Ieccchh! É arroz?!? Espero que não!

Mãe do Calvin: Arroz? Mostra lá.

Calvin: Vês! Estas coisinhas brancas! Tenho arroz na sopa! Odeio arroz!

Mãe do Calvin: Não é arroz. São cotovelos.

Calvin (com um ar horrorizado): Uui! Uui!

Pai do Calvin: Outra adorável refeição em casa com a família. Quem me dera ser caixeiro-viajante.

Mãe do Calvin: Bem, ele está a comer, não está?

Calvin: Deixem-me só contar na escola o que é que comemos ao jantar!!!»

Calvin

Bill Watterson (1990). Calvin & Hobbes: Monstros de Outro Planeta! Lisboa: Gradiva, pp.121.

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