Arroz Doce na Montanha Mágica

«Havia na mesa tigelas com geleia e com mel, pratos com arroz doce e com papa de aveia, travessas com ovos mexidos e com carnes frias; a manteiga figurava em abundância; alguém estava a levantar a redoma de vidro para cortar um pedaço de queijo suíço, húmido de gordura; e no centro da mesa via-se ainda uma fruteira com frutas frescas e secas. Uma criada vestida de preto e branco perguntou a Hans Castorp o que desejava beber: cacau, café ou chá. Era baixinha como uma criança, e tinha um rosto oblongo, de velha. Como Hans Castorp constatou com espanto, era uma anã. Ele lançou um olhar ao primo, mas este limitou-se a encolher os ombros, franzindo as sobrancelhas, como para dizer: “E então?”. Assim, Hans Castorp, conformando-se com o facto estranho, pediu chá, com especial cortesia, por se tratar de uma anã. Pôs-se, então, a comer arroz doce, com açúcar e canela, enquanto os olhos vagueavam por sobre os demais pratos, que ainda desejava provar, e estudavam os hóspedes distribuídos nas sete mesas – os colegas de Joachim, seus companheiros de destino, todos enfermos interiormente, e que ali, conversando, tomavam o pequeno-almoço.»

Thomas Mann, A Montanha Mágica. Lisboa: Edição Livros do Brasil. 1924: 47-48.

Bildungsroman é o termo alemão usado para descrever um romance de formação, ou seja, um romance no qual encontramos descrito, de forma detalhada, o desenvolvimento geral de uma personagem. Neste caso, assistimos à estória de Hans Castorp e dos seus dias de repouso no Sanatório Internacional Berghof localizado na “montanha mágica”. Assistimos, também, a um verdadeiro desfile de manjares e repastos de fazer água na boca! Começo pela primeira descrição de uma das diversas refeições do sanatório, a do pequeno-almoço, uma verdadeira refeição de campeão – ou de herói, neste caso – onde o arroz doce é o primeiro prato escolhido por Hans Castorp.

Arroz Doce na Montanha Mágica

(rende 3 taças individuais)

1/2 l de água

1/2 l de leite meio gordo

125 g de arroz

175 g de açúcar

50 g de manteiga

3 gemas

1 pau de canela

3 cascas de limão

canela em pó para polvilhar

Coloque num recipiente a água e o arroz. Deixe cozer. À parte, misture o leite com o pau de canela e as cascas de limão. Ponha o leite a ferver. Quando a água estiver quase toda absorvida pelo arroz, adicione-lhe o leite fervido. Mexa até a mistura ficar cremosa. Misture o açúcar e a manteiga. Mexa sem parar durante +/- 10 minutos ou até obter a consistência pretendida. Entretanto, retire um pouco do arroz e junte-o às gemas, mexendo. Verta este conjunto sobre o restante arroz. Retire o preparado do lume e mexa bem o arroz doce. Pode distribui-lo por taças pequenas ou colocá-lo numa travessa. Assim que o arroz doce arrefecer um pouco, decore-o com canela.

(nota: para uma alternativa mais saudável, pode dispensar as gemas no final da receita e substituir o leite meio-gordo pelo leite magro)

Arroz Doce na Montanha Mágica

Bom apetite e boas leituras!

Outras Tisanas:

Bildungsroman

Thomas Mann

A Montanha Mágica

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